domingo, 22 de agosto de 2010

O Uno e o Verso do Universo


O Mestre Yogue e seus discípulos conversavam sobre coisas muito importantes. Certo momento, o discípulo, respeitosamente, perguntou:
"Mestre, uma coisa eu ainda não compreendo..."
O Mestre olhou ternamente para o jovem discípulo e perguntou:
"Diga, meu confuso e curioso discípulo, o que o intriga tanto assim?"
O discípulo ergueu as sobrancelhas e disse:
"Mestre, afinal, quem sou eu?"
O Mestre deu uma gostosa gargalhada e olhou o discípulo bem nos olhos, dizendo:
"Como você é um discípulo muito aplicado, acho que está na hora de você descobrir esta resposta. Por favor, apanhe uma cebola e uma faca."
O discípulo rapidamente trouxe a cebola e a faca. O Mestre pegou a cebola e a faca e começou a descascar a cebola dizendo:
"Meu jovem, você é como esta cebola. Veja só. Se tirarmos uma camada o que resta?"
"Ora, Mestre, resta outra camada de cebola! Eu continuo não entendendo."
"Acalme-se e preste atenção. As coisas nem sempre são o que parecem ser. Se eu retiro esta outra camada de cebola, o que resta?"
" Outra camada mais interna, meu Mestre."
E o Mestre foi assim, camada a camada, descascando a cebola, até que finalmente chegou à última camada interna.
"Retirando esta última camada, o que resta, meu jovem?"
O discípulo estava ainda mais confuso, queria saber quem ele era afinal, e o velho Mestre ficava descascando uma cebola até não ter mais nada em suas mãos. "Como isso poderia explicar algo tão importante como quem eu sou?", pensava o discípulo.
"Ora, Mestre, tirando a última camada, não resta mais nada!"
"Nada?", o velho deu uma longa respirada, olhou bem na própria mão vazia e depois deu uma ampla olhada em tudo ao redor e perguntou:
"Não restou nada mesmo, meu jovem? Preste atenção e me diga, o que restou?"
"O Universo, Mestre! Restou o Universo!..."
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